O Senhor Pelejará Por Ti

Todo o livro de Deuteronômio
consiste em um único discurso de Moisés, feito pouco antes de sua
morte. Esse discurso faz uma revisão dos quarenta anos que Israel
tinha passado vagando no deserto. E Moisés o faz dirigido à nova
geração de israelitas. À época o povo estava colocado nos altos de
Cades-Barnéia, um lugar importante em sua história. Estavam na
fronteira de Canaã, a terra prometida. Era o mesmo local onde seus
pais haviam estado trinta e oito anos antes. Era também o lugar onde
Deus havia impedido a velha geração de entrar na terra prometida. O
Senhor os enviou de volta ao deserto, para vagar até que toda a
geração morresse, com exceção de Josué e Calebe. Agora Moisés
relembrava à nova geração a história de seus pais. Ele queria que
eles soubessem exatamente porque a geração precedente havia morrido
- e fora considerada desesperadamente rebelde aos olhos de Deus.
Moisés insistia em que aprendessem a partir dos erros trágicos dos
pais, dizendo algo como: “Vocês conhecem a história de seus pais.
Eram um povo chamado, escolhido e ungido por Deus. Mas perderam a
visão. O Senhor os amou de tal maneira que os pegou nos braços, e
os pôs no colo inúmeras vezes. Contudo, vez após vez, eles
murmuraram e reclamaram dEle, entristecendo-O.” “Finalmente, a
paciência de Deus chegou ao fim. Ele viu que eles tinham se
comprometido com a incredulidade. E não havia nada que Ele poderia
fazer para que mudassem de opinião; nenhum milagre que Ele
realizasse conseguiria lhes persuadir totalmente quanto à Sua
fidelidade e bondade. Seus corações eram como granito. Então Deus
lhes disse: ‘Nenhum de vocês entrará na terra prometida. Pelo
contrário, agora mesmo vocês vão fazer a volta – e retornar ao
deserto.”‘ Que palavras poderosas. Mas Moisés não estava falando
apenas à nova geração de israelitas. Ele também estava se dirigindo
a cada uma das gerações de crentes que se seguiriam, incluindo nós
hoje. Como todos os registros do Velho Testamento, esse foi
escrito “para advertência nossa, de nós outros sobre quem os fins
dos séculos têm chegado” (I Coríntios 10:11). Moisés está nos
mostrando o perigo da incredulidade. E previne que a menos que
levemos essa questão a sério, sofreremos as mesmas terríveis
conseqüências daqueles que caíram antes de nós: “A fim de que
ninguém caia, seguindo o mesmo exemplo de desobediência” (Hebreus
4:11). Ele está dizendo, basicamente: “Não importa que tipo de
coisa impossível vocês estejam enfrentando, ou o quanto à situação
pareça desesperadora. Vocês não devem cair no mesmo pecado de
incredulidade. Caso contrário, irão acabar em um deserto terrível,
como eles. E vagarão por ele pelo resto da vida”.
“Deus é fiel
para lhes guiar. E Ele levou seus pais a crises por um motivo: para
ensiná- los a confiar nEle. Ele queria um povo inabalável na fé.
Eles deveriam sair do deserto com uma fé provada – pura como ouro.
Ele queria que fossem um testemunho para o mundo da bondade dEle
para com o Seu povo.” Acredito que a nossa geração tem aceito o
pecado da incredulidade de maneira muito leviana. E agora mesmo,
estamos vendo os trágicos resultados. Vejo muitos crentes
atualmente cheios de depressão e inquietude. Claro, alguns sofrem
estas coisas por razões físicas. Mas muitos outros suportam tal
sofrimento devido à situação espiritual. Em minha opinião, a
depressão de tais pessoas é resultado do desagrado de Deus pela
incredulidade contínua. O Senhor sempre usa linguagem forte ao se
referir à incredulidade em meio ao Seu povo – termos como ira,
cólera, abominação, tentar a Deus. Moisés levanta esse ponto ao
lembrar os jovens israelitas quanto a isso: “Vistes que o Senhor,
vosso Deus, nele (deserto) vos levou, como um homem leva a seu
filho, por todo o caminho pelo qual andastes… Tendo, pois, ouvido
o Senhor as vossas palavras (de incredulidade), indignou-se e
jurou, dizendo: Certamente, nenhum dos homens desta maligna geração
verá a boa terra que jurei dar a vossos pais” (Deuteronômio 1:31, 34-
35).
Moisés então descreve o trágico erro que os pais haviam
cometido em Cades-Barnéia. Aconteceu pouco após a travessia do mar

Vermelho. Deus havia ordenado que Israel avançasse ousadamente à
Canaã. E havia lhes dado poderosas palavras de segurança: “Eis que
o Senhor, teu Deus, te colocou essa terra diante de ti. Sobe, possui-
a, como te falou o Senhor, Deus de teus pais: Não temas e não te
assustes… Não vos espanteis, nem os temais. O Senhor, vosso Deus,
que vai adiante de vós, ele pelejará por vós, segundo tudo o que
fez conosco, diante de vossos olhos, no Egito” (Deut. 1:21, 29-30).
Que promessa incrível. Nenhum de seus inimigos conseguiria enfrentá-
los (v. 7:24). Mas Israel vacilou diante da promessa de Deus. Ao
invés de aceitá-Lo segundo a Sua palavra, insistiram em enviar
espiões à Canaã. E esses espiões trouxeram “más notícias”, cheias
de incredulidade. Falaram de gigantes e de cidades cercadas por
altas muralhas. E o povo acreditou nesse relatório que
trouxeram: “Porém vós não quisestes subir, mas fostes rebeldes à
ordem do Senhor, vosso Deus” (1:26). Agora Moisés diz à nova
geração: “Eles deveriam ter se movido na mesma hora segundo a
palavra de Deus. O Senhor havia dito que lutaria por eles. Mas eles
se rebelaram”. Dá para você ver o quê aconteceu com a velha geração?
O envio daqueles espiões para Canaã foi um ato de incredulidade. E
enquanto esses espiões estiveram lá, foram influenciados por
Satanás. Ficaram sujeitos às mentiras do inimigo porque não haviam
seguido a palavra de Deus. E assim voltaram ao acampamento como
instrumentos do diabo.
Após ouvir o relatório maldito, o povo
agitou os punhos contra Deus acusando: “O Senhor nos abandonou,
Deus. O Senhor nos trouxe aqui para morrer”. Poucos meses antes,
este mesmo povo havia sido separado por Deus, tornado especial aos
Seus olhos, e milagrosamente salvo. Mas agora o acampamento todo se
via confuso. Eles perguntavam entre si: “Será que Deus não está
mais conosco?”. Logo começaram a chorar pelos filhos: “Os nossos
filhos vão morrer de fome neste deserto. Deus nos odeia!”.
Moisés
lembra os jovens israelitas das acusações dos pais: “Murmurastes nas
vossas tendas e dissestes: Tem o Senhor contra nós ódio; por isso,
nos tirou da terra do Egito para nos entregar nas mãos dos amorreus
e destruir-nos” (1:27).
——————————————
— Cades-Barnéia é Onde Deus Leva Todos os Seus
Filhos Para o
Teste Definitivo da Fé ———————————————
Cades-Barnéia é o local da coisa assumidamente impossível. A própria
palavra vem da raiz hebraica significando “fugitivo, vagabundo,
vagante”. Resumindo – se você tomar a decisão errada aqui, acabará
vagando por um deserto o resto da vida. Muitos cristãos estão
exatamente nesse ponto agora. Deus lhes deu Suas promessas de
Aliança; lhes deu um passado histórico maravilhoso consigo, lhes
concedendo milagre após milagre de libertação. Mas o diabo foi a
eles com mentiras, dizendo que não conseguiriam acabar a carreira.
Ele os convenceu de que não eram bons o suficiente, de que Deus
ainda estava zangado com eles devido a pecados passados, e que
nunca os perdoaria.
Diga: você começou a aceitar estas mentiras?
Você acha que Deus irá falhar quando a sua crise chegar? Se é
assim, então em algum ponto de seu caminhar você deixou de aceitar
a Deus segundo a palavra d’Ele. Você não agiu segundo o Seu comando.
E o quê foi verdadeiro para Israel é também verdadeiro para você: o
teste que você enfrenta em Cades-Barnéia irá determinar o curso de
seus anos restantes.
Como Israel, você tem sido carregado nos
braços de Deus em meio a um terrível deserto. Ao olhar para trás,
você pode recordar as tremendas provações que enfrentou, os
dolorosos fracassos que suportou. Você passou por lutas que jamais
pensou que iria superar. Mas Deus lhe foi fiel em cada uma delas.
Toda vez, Ele misericordiosamente se inclinou e lhe levantou. E
agora você pode dizer: “Deus nunca falhou comigo. Estou aqui hoje
pela Sua graça. É verdade – Deus me pôs em Seus braços, do jeito
que um pai pega o filho”.
E mais, Deus o trouxe para fora a fim de
o colocar dentro. Há uma terra prometida à sua frente, da mesma
maneira que havia para Israel: “Portanto, resta um repouso para o
povo de Deus” (Hebreus 4:9). Deus o salvou para levá-lo a um lugar
de repouso. O quê é esse repouso? É um lugar de fé e de confiança
inabaláveis no Senhor. É um lugar de dependente confiabilidade em

Suas promessas – de que elas cuidarão de você em meio a seus
períodos mais difíceis. Mas para chegar a esse lugar de repouso,
você primeiro precisa passar por Cades- Barnéia. Chegando lá, você
estará face a face com uma batalha tão intensa, que superará tudo
que já viveu. Há inimigos, gigantes, altas muralhas, coisas que lhe
parecem totalmente insuperáveis. E você precisa submeter totalmente
a sua confiança ao Senhor para prosseguir. Já vimos como os
israelitas hesitaram em agir segundo a palavra de Deus em Cades-
Barnéia. Como resultado, Satanás os colocou sob a influência de dez
mentirosos inspirados pelo demônio. Qual o resultado? O resultado é
que o povo acabou pensando que Deus estava resolvido a lhes
destruir. E o mesmo se mantém verdade para nós hoje. Quando nos
recusamos a agir rapidamente em cima das promessas de Deus, nos
abrimos a espantosas mentiras demoníacas. E essas mentiras têm o
objetivo de destruir a nossa fé. Satanás quer que pensemos que
Deus nos deixou lutando sozinhos; nos diz que as muralhas à frente
são altas demais, que não há como escalá-las para a vitória. Diz que
vamos fracassar, que todo o nosso caminhar com Jesus foi em vão. Ele
cochicha que não adianta continuar, que é melhor desistir. Lhe digo
o seguinte: é por isso que Deus sempre quer que ajamos rapidamente
segundo a Sua palavra. Ele não quer que o diabo tenha chance de nos
assaltar com mentiras.
Alguém pode pensar: “Eu nunca iria
acreditar que Deus me odeia. Como vou achar que o Senhor esteja a
fim de me destruir?”. Mesmo assim, se ouvirmos as mentiras de
Satanás, é exatamente isso que acabaremos dizendo: “Deus me levou a
uma situação impossível. Não há sinal de Ele estar arranjando uma
saída para mim. No entanto, Ele diz que não permitiria que eu
suportasse algo acima de minhas forças. E agora mesmo o que estou
passando é mais do que posso suportar”. Tais pensamentos são
acusação direta contra Deus. Eles O acusam de não estar conosco em
meio ao sofrimento.
Vemos novamente esta incredulidade em Israel
quando chegaram a Refidim. Este era o local mais seco do deserto, e
outro lugar de crise. Logo o povo começou a agonizar de sede. E uma
vez mais, perderam toda a confiança em Deus: “Está o Senhor no meio
de nós ou não?” (Êxodo 17:7), querendo dizer: “Se Deus estivesse
conosco, nós não estaríamos nessa crise. Desta vez é insuperável”.
————————————————- No Fundo, o Motivo
da Incredulidade de Israel, é o Mesmo Motivo da Incredulidade da
Igreja Hoje. ————————————————-
Simplificando: a palavra de Deus não foi suficiente para Israel. O
Senhor lhes havia dado promessas incríveis; contudo em meio à
crise, Israel nunca confiou em Sua palavra. A despeito de cada uma
das promessas, de cada compromisso férreo de cuidar deles, eles
entenderam Sua palavra como algo inútil. Como? Eles nunca a
juntaram à fé: “A palavra que ouviram não lhes aproveitou, visto não
ter sido acompanhada pela fé” (Hebreus 4:2).
Em vez disso, o povo
sempre pediu uma nova palavra de Deus. Vemos isso em seu
questionamento: “Deus está conosco, ou não?”. Em outras
palavras: “Temos de saber se Deus está conosco nessa crise, não na
crise anterior. Precisamos de uma nova revelação dEle, para essa
nova situação”. Eu lhe pergunto: como alguém poderia esquecer tão
rapidamente tudo que Deus havia feito por eles? Israel havia
removido da lembrança todos os exemplos passados de libertações
feitas por Deus. Eles jamais permitiram que Seus atos sobrenaturais
passados edificassem sua fé nEle.
Mesmo assim, a despeito das
acusações contra Ele, Deus proferiu uma outra palavra para Israel.
Ele instruiu Moisés a lhes dizer: “Não vos espanteis, nem os temais
(os inimigos). O Senhor, vosso Deus, que vai adiante de vós, ele
pelejará por vós, segundo tudo o que fez conosco, diante de vossos
olhos, no Egito” (Deut. 1: 29-30). Ora, essa promessa não era nova.
Deus estava apenas reafirmando o que já havia dito ao Seu povo: “O
Senhor pelejará por vós, e vós vos calareis” (Êxodo 14:14). Ele os
estava lembrando: “Lhes disse no Egito que Eu iria à frente. Disse
que habitaria em seu meio, e lutaria por vocês contra todos os
inimigos”. E Ele havia feito exatamente isto. Deus os havia livrado
todas as vezes, à cada provação.
Vez após vez Deus lhes havia

dito: “Estou com vocês. Vou lutar por vocês. Agora então, apropriem-
se desta promessa, e não a esqueçam”. Mesmo assim, cá estavam eles
em Cades-Barnéia, tremendo diante do inimigo, e se concentrando na
própria fraqueza. Finalmente, raciocinaram assim: “Não estamos
capacitados para irmos contra eles”. Isso era duvidar
escandalosamente – duvidar do chamado de Deus para as suas vidas,
duvidar que Ele os havia enviado, duvidar de Sua presença em seu
meio.
Você pode achar que nunca iria reagir dessa maneira. Contudo
muitos cristãos hoje dizem coisas similares: “Senhor, Tu estás
realmente comigo? Sei o quê o Senhor me prometeu. Mas isso é
verdade mesmo? Posso confiar no que o Senhor disse? Preciso
novamente ouvir algo novo de Ti. Preciso de uma nova palavra. Por
favor, me dê um pouco mais de segurança”. Acabamos tremendo diante
do inimigo de nossas almas. E tudo porque não cremos no que Deus
nos prometeu. Agimos como se Ele nunca tenha dito uma palavra a nós.
E é precisamente aí que O “tentamos”. Mesmo que Ele já tenha se
provado a nós inúmeras vezes, nós continuamente pedimos que outra
vez nos prove a Sua fidelidade, que nos envie mais uma palavra para
edificar a fé. Mas Deus dirá apenas uma palavra: “Creia no que Eu
te disse”.
Você treme diante de um pecado que lhe assedia, e que
cresce diante de si como uma cidade murada? Se é o caso, o que Deus
lhe disse quanto a essa fortaleza inimiga? Por toda a Sua palavra,
Ele promete: “Eu lutarei por ti. Você não precisa ter medo. Maior é
o que está em ti, do que o que está no mundo. Não há pessoa ou
inimigo que possa te arrancar da Minha mão. Eu te purificarei e
santificarei, pelo Meu Espírito. Confie na Minha palavra revelada a
ti”.
—————————————– A Incredulidade é
Até Um Pecado Maior no
Novo Testamento do que no Velho ————
—————————– Jesus veio como profeta e operador de
milagres à Sua própria casa, Israel. No entanto somos informados de
que “não fez ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles”
(Mateus 13:58). Que afirmação incrível. A incredulidade limitou até
o poder de Cristo para operar.
Vemos outros resultados trágicos
da incredulidade por todo o Novo Testamento. Os discípulos não
conseguiram expulsar um demônio de uma pequena criança devido à
incredulidade. E Jesus os repreendeu por isso (v. Mateus 17:14-21).
Após a ressurreição, Cristo ficou chocado novamente devido à
incredulidade deles: “e censurou-lhes a incredulidade e dureza do
coração” (Marcos 16:14). E também, Paulo diz o seguinte sobre os
judeus: “Pela sua incredulidade, foram quebrados” (Romanos 11:20).
Por que o julgamento de Deus quanto à incredulidade é tão severo no
Novo Testamento? É porque os crentes de hoje receberam algo que os
santos do Velho Testamento somente podiam sonhar. Deus nos abençoou
com o dom do Seu Espírito Santo. Sob a Velha Aliança, os crentes
eram visitados pelo Espírito de Deus só ocasionalmente. Eles tinham
de ir ao templo para experimentar a presença do Senhor. Mas hoje
Deus faz Sua habitação no Seu povo. Nós somos o Seu templo, e a Sua
presença habita todo crente.
No Velho Testamento, Abraão só
ocasionalmente era visitado por um anjo, ou recebia uma palavra de
Deus. E ele cria no que lhe era dito. Abraão confiava que Deus era
capaz de cumprir tudo que prometia. Ele “não duvidou, por
incredulidade, da promessa de Deus” (Romanos 4:20). Contudo hoje,
Jesus está disponível a nós a qualquer hora do dia. Temos
habilitação para apelar a Ele a nossa vida toda, e sabemos que Ele
responderá. Ele nos convida a irmos ousadamente à Sua sala do trono,
para tornarmos conhecidas as nossas petições. E nos dá consolação e
direcionamento através do Espírito Santo.
Mesmo assim, a despeito
destas bênçãos, ainda duvidamos de Deus nas ocasiões de provações
extremas. Jesus repreende essa incredulidade, dizendo: “Não fará
Deus justiça aos seus escolhidos, que a ele clamam dia e noite,
embora pareça demorado em defendê-los? Digo-vos que, depressa, lhes
fará justiça. Contudo, quando vier o Filho do homem, achará,
porventura, fé na terra?” (Lucas 18:7-8). Se Cristo fosse voltar
hoje, Ele acharia fé em você? ————————————–
——- Aqui Estão as Conseqüências da Incredulidade ————–
——————————- “Também foi contra eles a mão do

Senhor, para os destruir…até que toda aquela geração dos
homens… se consumiu…” (Deuteronômio 2:15,14). Cá está uma das
linguagens mais duras de toda a Bíblia em relação à incredulidade.
Você pode achar: “Mas isso não é linguagem da graça. Deus não trata
da incredulidade com essa severidade hoje em dia”.
Não é assim. A
Bíblia diz que hoje, sob a graça, “Sem fé é impossível agradar a
Deus, porquanto é necessário que aquele que se aproxima de Deus
creia que ele existe e que se torna galardoador dos que o buscam”
(Hebreus 11:6). Aqui estão algumas conseqüências da incredulidade:
• A incredulidade contamina todas as áreas da vida. Esse pecado não
pode ser reduzido a um ponto único em nossa vida. Ele derrama em
cima de tudo, infectando todos os detalhes do nosso caminhar. A
dúvida de Israel não se limitava à habilidade de Deus em matar os
inimigos. A dúvida se derramava sobre a confiança deles quanto às
provisões diárias. Eles duvidavam da habilidade de Deus quanto a
proteger os filhos deles. Eles duvidavam quanto a Ele levá-los à
terra prometida. Eles duvidavam até se Ele estava com eles. É por
isso que Deus lhes disse: “Virai-vos e parti para o deserto… não
estou no meio de vós” (Deuteronômio 1:40,42).
Se temos
incredulidade numa área, isso se espalha como câncer a todas as
outras, contaminando o nosso coração inteiro. Podemos confiar em
Deus em alguns assuntos, tais como crer que Ele nos salva pela fé,
que é todo-poderoso, que o Seu Espírito habita em nós. Mas
confiamos nEle quanto ao nosso futuro? Cremos nEle para nos prover
quanto à saúde e finanças, para nos dar vitória sobre o pecado? • A
incredulidade leva ao pecado da presunção. Presunção é a ousadia de
acharmos que sabemos o que é o certo. É uma arrogância que
diz: “Sei o caminho”, e age por si. Cá está ainda outro pecado que
Israel cometeu em sua incredulidade. Quando Deus os mandou voltar
ao deserto, eles não quiseram obedecer. Antes, foram até Moisés
dizendo: “Ok, nós pecamos. Mas agora já resolvemos isso. Estamos
prontos para obedecer à ordem de Deus para marcharmos contra o
inimigo”. E resolveram eles mesmos definir a situação. Aqui está
aonde muitos crentes em dúvida cometem um engano trágico: quando
fracassam em uma questão da fé, eles se voltam para a carne. Fazem o
que acham que tem de ser feito, mas em sua própria sabedoria e
capacidade. A fé, no entanto, sempre resiste a agir com medo. Ela
espera que Deus aja. A fé nunca quer fazer alguma coisa acontecer
indo à frente de Deus. Esse grupo de israelitas foi à frente de Deus
organizando um pequeno exército. Planejaram uma estratégia e se
puseram a caminho por vontade própria. Mas quando os inimigos os
viram, perseguiram os soldados israelenses “como fazem as abelhas” e
os destruíram (Deuteronômio 1:44).
Vi casos terríveis de cristãos
que jamais conseguiram entrar no repouso de Deus. O Senhor os levou
a um ponto de tremendas provações – crise familiar, problemas
financeiros, problemas conjugais – mas eles não esperaram que Deus
agisse. Pelo contrário, acusaram-nO de negligência, e tentaram eles
mesmos resolver a situação. Hoje, tais crentes não têm repouso, não
têm paz e o senso da presença de Deus. Antes, vivem em dúvida
constante. E parecem ir de crise em crise. Só conseguem falar do
último problema que tiveram. Contudo cada pedacinho dessa confusão é
causado por uma coisa: incredulidade.
O salmista diz: “Acabam-se
os nossos anos como um conto ligeiro” (Salmo 90:9). O salmista está
falando do incrédulo. Qual é o título do seu conto? É: Viveram e
Morreram em Vão. É a mesma história que ouvimos as pessoas contando
sobre avós não crentes: “Viveram seus anos na dor e na amargura. A
única coisa que faziam era murmurar e reclamar. E morreram sós e
esquecidos”.
Esse é o horror da incredulidade. Ela amputa o seu
histórico espiritual, tal que a única lembrança que têm de você é o
de uma vida que se perdeu. Quando a geração jovem de Israel
perguntava, “E o vovô e a vovó?”, lhes respondiam: “Eles só
murmuravam e reclamavam. Eles não tinham porquê viver – então
ficaram sentados esperando a morte”.
—————————-
——– Muitos Cristãos Ainda Têm de Entrar no Repouso que Deus
Tem Para Eles ———————————— “Resta entrarem
alguns nele” (Hebreus 4:6). O crente verdadeiro está determinado a

confiar em Deus mesmo se a sua oração não é respondida. Não importa
se todos os seus bens são levados, ou mesmo se enfrenta a morte.
Ele deseja entrar no repouso de Deus. Qual é a evidência de uma
vida assim? Uma pessoa assim, “ele mesmo descansou de suas obras”
(4:10). Não passam mais a noite em claro tentando resolver os
problemas em sua própria sabedoria, ou com a sua própria habilidade.
Antes, lançam tudo sobre Jesus. Não importa se ganham ou se perdem.
Eles se concentram unicamente no fato de que Deus tem um plano, e
que Ele está operando isso em suas vidas.
Quero terminar com uma
experiência que tive há pouco. Numa noite de sábado, desci até o
cruzamento de Times Square em Nova York, em meio ao alvoroço de
turistas e de outros fazendo as compras de fim de ano. Estima-se
que nas horas de pico, quase 250.000 pessoas passam por aqui.
Então, enquanto estava lá, eu orava observando as multidões
passando. Certa hora o Espírito Santo cochichou para mim: “David,
dê uma olhada nessa aglomeração. Multiplique-a várias vezes, e esse
será o quanto de gente que morreu no deserto. Em toda essa
multidão, só dois entraram no meu repouso, Josué e Calebe. Todos os
outros morreram antes da hora, em desespero e em incredulidade”.
Esse pensamento me foi aterrador. Olhei mais de perto a massa de
pessoas entrando nos teatros da Broadway, nos restaurantes, lojas.
Vi gente rica, pessoas desabrigadas, gente da classe média,
homossexuais, drag queens…e entendi que Deus provavelmente não
estava no pensamento de nenhum deles. Pensei no estádio de futebol,
nos ginásios de basquete e de hockey, e em todas as pessoas que os
enchiam, com só uns poucos que verdadeiramente amam a Deus. Olhei
em torno vendo todos os cinemas ali, e pensei nos milhares ali
sentados, zombando de tudo que é santo. Observando toda essa gente,
entendi que todos eles tiveram a mensagem do evangelho ao seu
dispor alguma vez, através da televisão, do rádio, literatura, até
de Bíblias gratuitas em quartos de hotéis. Se apenas eles quisessem
saber, seriam informados de que o mesmo Deus que operou milagres
para o antigo Israel, faz o mesmo para todos os que O amam hoje.
Porém são pessoas que não O querem conhecer. Se vêem alguém
entregando folhetos evangelísticos, eles se apressam e o rejeitam.
Não têm nenhum deus além do prazer, do dinheiro e das posses.
De
repente, comecei a ver o valor de um crente único diante dos olhos
de Deus. E ouço Jesus fazendo a mesma pergunta hoje: “Quando Eu
voltar, encontrarei fé na terra?”. Vejo Cristo, O que sonda o
coração dos homens, esquadrinhando todos os bairros, e encontrando
poucas pessoas, se tanto, que verdadeiramente O amam. Eu O vejo
procurando nos campus universitários, perguntando: “Quem aqui vai
crer em Mim?”. Eu O vejo pesquisando na capital de nosso país, em
busca de quem O aceitaria, e encontrando poucos. Eu O vejo buscando
em países inteiros, e achando só um remanescente. Vejo-O buscando
dentro da moderna igreja apóstata, e não encontrando fé, apenas
mortandade.
Finalmente, Ele pesquisa a Sua igreja, procurando
servos com genuína fé. Porém, o que Ele vê parte o Seu coração, e O
entristece profundamente. Ouço-O chorando como fez por
Israel: “Jerusalém, Jerusalém… Quantas vezes quis eu reunir os
teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintinhos debaixo das
asas, e vós não quisestes!” (Mateus 23:37). Qual o motivo da
angústia dEle? Deus enviou o Seu Filho para revelar o amor do Pai
aos filhos amados. Enviou o Espírito Santo para confortar e guiá-
los. Mesmo assim, multidões dentro da Sua casa não têm fé. Não
crêem que Ele responda orações. Murmuram e reclamam, acusando-O de
negligenciá-los. E ficam com medo e em desespero, como se Deus os
tivesse abandonado.
Como ministro do Senhor, carrego a carga do
meu Pastor. E sinto a Sua dor. Nesse momento, ouço-O
dizendo: “Mesmo em Minha casa, vejo tão poucos com fé. Muitos dos
Meus próprios filhos, incluindo os Meus pastores, fraquejam na hora
das lutas. Não confiam em Mim quanto às suas famílias, seus
empregos, seus futuros. Em verdade, muitos fizeram a sua escolha”.
Então, e você? O Senhor vem a cada um de nós, perguntando: “Você crê
em Mim? Você confia em Mim? Quando Eu vier, encontrarei fé em ti?”.
Como você responderá?





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