Cristão termômetro ou termostato?27.01.2010
O partido existe para lançar candidato e não para meia dúzia de pessoas negociarem ministérios.
por: Marcela Rocha
A Terra Magazine, o governador do Paraná Roberto Requião (PMDB) conta que a convenção do partido não será antecipada. "Agora, haverá tempo para se pensar em chapa de oposição", comemora. A situação, no caso, é encabeçada por Michel Temer (SP), que recebeu em sua casa membros da cúpula peemedebista para articularem sua reeleição na legenda e candidatura à vice-presidência da República ao lado da ministra petista Dilma Rousseff.
Sobre essa reunião em que foi conversada a antecipação do evento de março para fevereiro, o governador acredita que os participantes desrespeitaram as instâncias partidárias. E desabafa: "Não tem cabimento Henrique Meirelles (recém filiado) se meter nisso". O presidente do Banco Central estava na reunião junto a José Sarney, Renan Calheiros e outros cardeais.
- A não ser que tivessem renovando o limite do cheque especial. Afinal, ele foi presidente da Associação dos Bancos Internacionais no Brasil. Ele podia arranjar um limite bom no City Bank pra um, no London Bank para outro, no Boston para mais outro.
Requião está entre os peemedebistas que defendem a candidatura própria do partido. Ele mesmo se lançou como um nome para a tarefa e, a seu ver, "o PMDB acaba" se não fizer isso. Segundo ele, dos 27 diretórios, 24 são favoráveis a um nome peemedebista na corrida ao Planalto, o que aumenta suas chances na convenção.
- O partido existe para lançar candidato e não para meia dúzia de pessoas negociarem ministérios.
Abaixo, a íntegra da entrevista:
Terra Magazine - O que aflige o PMDB?
Roberto Requião - O PMDB está vivendo as suas contradições internas.
Como sempre viveu, na verdade...
E como todos os partidos vivem, menos o nazista, porque Hitler mandava fuzilar a sua oposição.
Governador, uma conversa sobre antecipar a convenção do partido desagradou bastante alguns setores.
Pelo o que eu soube, isso foi revertido. Daí, sim, dará tempo para repensarem e inclusive tempo de montar oposição. E a questão da candidatura será definida em junho mesmo.
O senhor já lançou a sua pré-candidatura à presidência. Acredita que ainda tem espaço para essa construção?
Claro que sim. Estou percorrendo o Brasil inteiro, percorrendo os diretórios. Padilha, presidente da Fundação Ulysses Guimarães, fez uma pesquisa e 24 diretórios estaduais do Brasil querem candidatura própria.
O que move, então, esse conflito do PMDB?
O PMDB não está ouvindo suas bases e nem o partido institucional. Essa reunião que aconteceu na casa do Temer foi muito interessante. A presença do Meirelles significara, pra mim, que eles estavam tentando renovar o cheque especial. O Meirelles não é da Executiva nem, do Diretório - que deve reunir sua direção nacional e convocar a convenção, para aí sim, decidir alguma coisa. Não tem cabimento o Meirelles se meter nisso. A não ser que tivessem renovando o limite do cheque especial, afinal, ele foi presidente da Associação dos Bancos Internacionais no Brasil. Ele podia arranjar um limite bom no City Bank pra um, no London Bank para outro, no Boston para mais outro.
O que o senhor acha da renovação de Temer na presidência do PMDB?
Eu não acho nada. Nós temos que discutir isso com tempo. Primeiro porque não é assim que a coisa acontece. Não existe a possibilidade de lançar candidato à presidência agora. O que existe é a possibilidade de lançar uma chapa para o Diretório, depois a chapa se reúne e elege a Executiva: presidente, vice-presidente... Não há eleição direta para presidente e muito menos eleição decidida pela Associação de Bancos Internacionais no Brasil. O Meirelles não vota. Agora, nada contra o Temer, sou amigo dele, ele leva para a casa dele quem ele quiser, mas não para discutir o partido. Tinha que ter convocado uma reunião do diretório.
Ouvimos peemedebistas falando com assertividade que Temer será mantido na presidência e que ele será o vice de Dilma...
Isso quem decide é a convenção. A minha posição é que o partido vote um programa e lance candidatura própria. Se isso não for possível, que componha em cima do programa.
Na convenção vai ter espaço para esse tipo de debate?
Acho que não há espaço para a coligação. O contrário do que os parlamentares estão falando. Os parlamentares estão desesperados para liberar emenda na reta final do governo Lula. Quando acabar o momento das emendas, surgirá o momento da verdade. Porque, depois disso, o governo federal não vai ter mais nada para distribuir.
Já que agora dá tempo de surgir uma nova chapa, o senhor pensa em apoiar alguma?
Não estou cogitando isso. No momento, estou focado na candidatura à eleição direta a presidente da República. Estou conversando com os presidentes dos diretórios e pode ser que disso saia uma chapa.
O senhor mencionou que 24 diretórios são favoráveis à candidatura própria. O PMDB tem 27 diretórios. Simples então de ter candidatura, certo?
São os parlamentares que dependem para se reeleger, por falta de uma visão programática e ideológica, de liberação de verbas. É um postinho de saúde aqui, um tratorzinho ali, uma escola técnica acolá. Isso é um vício da política brasileira. Os parlamentares deveriam ter uma posição programática e ideológica, mas não têm e dependem de pequenos favores. Esse mesmo pessoal estava apoiando o Fernando Henrique e agora apoia o Lula. Ou seja, eles são de uma fidelidade absoluta ao governo. O que muda é o governo. Eles, não.
Para concluir...
Falta um programa político para o PMDB, discussão e avaliar uma candidatura em torno disso. Ou compor com esse programa.
Aí, entramos na discussão da função de um partido...
Um partido tem que lançar candidatos em todas as instâncias da política do país. Eu acho que se o PMDB não lançar candidato agora ele acaba.
Por quê?
O partido existe para lançar candidato e não para meia dúzia de pessoas negociarem ministérios.
fonte: Terra