Miriam Leitão: crise é pior na Europa; há risco de colapso em vários países

Apesar da toda a confusão ter começado nos Estados Unidos em 2008, a corrida é para comprar títulos da dívida do Tesouro americano.

A crise é diferente de 2008, mas está ficando cada vez mais parecida. Por exemplo: agora circulam rumores sobre a saúde de bancos europeus. Isso pode paralisar o interbancário, que é como se chama esse mercado em que os bancos emprestam uns para os outros. Isso pode travar o crédito, e aí fica parecido com 2008. Boas empresas que procuram dinheiro para seus investimentos não conseguem recursos e atinge a economia real.

O medo na quinta-feira (18) foi detonado por uma série de dados e relatórios mostrando que a economia mundial está crescendo menos em todos os países, inclusive o Brasil. Foi previsto um crescimento do Brasil para 3,5% este ano.

Piora o temor de uma recessão global, mas a crise é muito pior na Europa, porque há risco de colapso de dívida de vários países, não só a Grécia. Por isso, apesar da toda a confusão ter começado nos Estados Unidos em 2008, a corrida é para comprar títulos da dívida do Tesouro americano. O papel está pagando a menor taxa de juros em 60 anos e, mesmo assim, continua a procura. Parece que o ano de 2008 é o ano que não acabou.

No Brasil, os empregos ficam ameaçados com as grandes empresas precisando fazer grandes investimentos e tendo dificuldades para conseguir dinheiro. O mercado de trabalho brasileiro está bem, mas o problema é o contágio da economia financeira para a economia real. Há empresas brasileiras com quedas enormes na bolsa, de 50% ou mais desde setembro do ano passado, mesmo que a empresa seja boa.

A Petrobras, por exemplo, é uma das empresas de petróleo mais lucrativas do mundo, mas tem uma das maiores quedas em relação a petrolíferas de outros países. Neste momento, a Petrobras anunciou um plano ambicioso de investimento nos próximos anos.

Onde ela vai procurar financiamento? O presidente José Sergio Gabrielli me disse ha uma semana que pretendia lançar títulos no mercado internacional. Mas com esse mercado tão pessimista a empresa terá dificuldade.

Parte do investimento será com dinheiro dela mesmo, mas se o mercado internacional continuar assim, como ela vai fazer? O nervosismo é no mercado financeiro, mas isso acaba afetando a economia real.

Assista ao vídeo.

Fonte: G1





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